sábado, 12 de abril de 2014

Como um bebê

O ápice do meu corpo deseja ser mole, sem comprometimento com meses a frente para o encontro da rigidez. Ele necessita, ao menos estar. E em seus braços entrelaçados com  o resto da minha forma anatômica tão promissora, alcançadora de polegadas que ultrapassariam a ti, minha  pequena, ele grita: ''venha me pegar''.


Seguraria-me com tanta destreza que, apesar da pouca idade, a habilidade formada pelo seu músculo arrebatador jamais me faria sentir algum tipo de dor.


Porém, encontro-me organizada de desconexão. De estrutura molecular correta e ausência do funcionamento esperado, apenas com o lado esquerdo arraigado num berço, no peito.



Borro meu rosto com choro descomunal clamando por moleira, por bobeira.


A noite se finda, com ela o estrago estraçalhado de súplica do âmago egoísta. Berro por querer ser, somente aquele, advento do ventre, um recém, o seu bebê.


Escrevi ouvindo: Cheers Darlin' - Damien Rice

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