É como se telepaticamente houvesse uma cartilha sorteada
pelo mundo afora sobre ambos e dela fôssemos presenteados aonde o que viesse a
diferir em seu conteúdo fosse a vogal onde distinguiria o nosso ser, pois não
caberia o epiceno na nossa qualidade enquanto existência. Buscávamos momentos
assim sem que precisássemos da ajuda de outrem, que direi das nossas próprias.
Lembro-me quando estávamos tão eufóricos pela ânsia de nos
desmembrar que nem percebíamos que estávamos
rendidos ali novamente, à mercê de um desabafo a ser escutado entre outros
pelos nossos ouvidos suplicados pela nossa voz inegável , nosso jeito próprio
de fundir-nos e quebrar-nos. Então embriagávamos até dos resquícios de nós
mesmos. E de repente, sumíamos.
Se longe permitíamos estar, é porquê de longe bem estávamos.
E se assim fora estabelecido ser: vigie-nos do nosso amanhecer,
o amanhã diferente há de ser.
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