terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Não [toque-me]!

Derrame sobre mim moléculas contidas nesse recipiente solidificado de contradições, como estas, proferidas pela boca que abriga esses seus dentes tão desconjuntados e desgastados pelo cigarro de outrora.

Massageie-me com aqueles óleos que guardo debaixo do colchão, mas, tenha cuidado com o lacre, embora resistente há tempos, guarda um líquido quase que evaporizante tão sensível como os movimentos dos seus dedos sobre minhas costas.

Deixe-me descansada com o desconsolo da ausência do seu retorno, esperarei pelo seu novo baque, pelas novas unidades acrescidas nesse seu corpo rendoso, fora do dogmático, naturalmente. Deixo-o vaguear pela estrada da vida com a vinda incerta aqui e lá.

Feche a porta quando sair, dê-me apenas um beijo, o melhor dentre os recebidos, com gosto de adeus, sem delongas de breve reencontro tradicional por vezes prometidos.

Não fuja do convencional, mas deixe-me sem notícias do que o norteia acerca dos demais, já não consigo sustentar a psicologia de todos os dias, a falta de animosidade visita-me com frequência, mal posso consultar alguém.

Alimente-se das lembranças do nosso trabalho auxiliado da nossa materialidade tangível com discrição para fazer jus a unção de nós mesmos até hoje, embora ora separados, ainda estou aqui, ao seu lado. Venha! 

Escrevi ouvindo - Pearl Jam - Animal


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